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Maracanã, 1950. Interlagos 2008

novembro 2, 2008

A final da copa de 50 no Maracanã, aquele 2×1 a favor dos uruguaios contra o Brasil, é conhecido como uma das maiores decepções do esporte brasileiro. Taça praticamente na mão, jogo acabando, torcida enlouquecida com o primeiro mundial da seleção canarinho, e um gol silencia 200 mil pessoas, que ficam com caras atordoadas, como se não acreditassem no que vissem. Esse dia ficou conhecido como “Maracanaço”.

Pois hoje vivenciei o que podemos chamar de “Interlagaço”.

Estava lá, junto com vários amigos, desde a meia noite do sábado. Passar a noite na fila, comendo e dormindo por lá mesmo, para garantir um lugar bom na arquibancada, tomando sol e chuva na cabeça até as 16h40, hora do final da corrida. Em suma, pra quem gosta é uma diversão só. E nem precisa dizer o programa de indio que é para todas as outras pessoas.

Mas a real é que a maioria que estava lá sabia que um título brazuca era improvável. Felipe Massa ganhar, beleza, mas Lewis Hamilton terminar em 6°? Só se caísse uma bomba nele mesmo. Ninguem tava com muita expectativa, embora a torcida pelo improvável estivesse sempre presente.

Mas da forma como foi…. foi uma puta sacanagem.

Largada, tudo normal, Massa na ponta, Hamilton com toda a cautela do mundo, dando jeito de que dessa vez aprendeu. Depois das disputas iniciais a corrida fica morna, a arquibancada já acompanha sentada, conformada que não deu, apesar da vitória que se desenhava. Tudo bem, Ferrari fez das suas cagadas, titulo é do negão mesmo, e bora vê. Ano que vem estamos aí de novo.

Daí que perto do fim um amigo aponta o dedo no horizonte e respondo com um olhar de quem entendeu o recado: Vem chuva por aí. E a biruta apontada na nossa direção confirma que aquele vento todo tava trazendo as nuvens mesmo.

Daí vem a sequência de emoções improváveis.

A chuva vem mesmo. O rádio me diz que Massa entrou no box. Merda. Voltou em primeiro. CARALEO!! Hamilton também foi pro box. PUTAQUEPARIU!! Voltou em quinto. MERDA!.

Era só o começo do doce na boca da criança…

Vettel, estreante sensação, vai alcançando Hamilton. E passa sem dar notícia.

Arquibancada não acredita. O improvável acontecendo ali, diante dos nossos olhos! O resultado necessário para empatar o campeonato e Massa levar nos critérios de desempate.

Não sou de ir em estádios, mas posso garantir que foi a explosão de um gol.

Hamilton não alcança Vettel. Torcida já começa a gritar, se abraçar, xingar, torcer, rezar.

Última volta. Massa ganha a corrida. Agora só resta confirmar o 6° de Hamilton.

Vettel não da mole. Faz a junção e dispara na frente no começo da subida dos boxes.

Era a confirmação que faltava pra soltar o grito de campeão. Ver um brasileiro sendo campeão mundial em casa, ainda mais numa situação improvável, não tem preço… mas não foi dessa vez.

Aquele mesmo silêncio do Maracanaço tomou conta do autodromo quando ouvimos no rádio que Timo Glock tinha ficado pelo caminho, Hamilton era 5°, Hamilton era campeão mundial.

Situação que era esperada por todo mundo, mas que tendo acontecido depois que o grito de campeão já tinha sido desentalado da garganta…

Foi foda.

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